Bahia inaugura 1ª fábrica que produzirá mosquito transgênico para combater à Dengue

às 15:57 e atualizado às 16:00

Fábrica ligada ao Ministério da Agricultura, que é um braço da empresa pública Moscamed, biofábrica criada em 2005 e subsidiada pelo Ministério da Agricultura e pelo governo do estado da Bahia, especializada na produção de insetos transgênicos para controle biológico de pragas, foi inaugurada ontem (07/07), em Juazeiro, na Bahia, como a maior do mundo na produção de mosquitos da dengue geneticamente modificados. Com 720 m2 de área, a unidade fabril vai confeccionar em larga escala do macho do Aedes Aegypt. É um mosquito criado em laboratório cujos filhotes morrem logo depois de nascer. Eles também, antes de morrerem, matam as larvas das fêmeas, o que reduz a transmissão da dengue. A pesquisa, desenvolvida na Universidade de Oxford, na Inglaterra, e na Universidade de São Paulo para combater moscas que atacam frutas, é testada na cidade baiana desde maio numa ação pioneira e apresenta resultados significativos. Os mosquitos resultantes do cruzamento artificial recebem antibióticos que impedem que cheguem à vida adulta. Somente a fêmea adulta do mosquito da dengue é capaz de transmitir a doença.

Três vezes por semana, milhares de mosquitos são soltos em bairros populares de Juazeiro. São machos do Aedes aegypti geneticamente modificados, inofensivos à população. Eles cruzam com as fêmeas que estão na natureza e transmitem para elas um gene que mata os filhotes.

Os técnicos montam armadilhas em algumas casas para capturar mosquitos, e é dessa forma, por amostragem, que eles conseguem calcular a incidência do Aedes aegypti. Os primeiros resultados do trabalho são muito animadores. Nos dois bairros onde o projeto é realizado, Mandacaru e Itaberaba,  a população do mosquito transmissor da dengue caiu de 80% a 90%.

Instalações da Fábrica de mosquitos

A partir dos resultados, o governo poderá expandir a estratégia para todo o país e, dentro de alguns anos, incorporá-la ao Sistema Único de Saúde (SUS) como um dos mecanismos de combate à doença. Os estudos para mensurar o impacto em termos de redução da dengue levam pelo menos 5 anos, de acordo com o National Institute of Health (órgão equivalente ao Ministério da Saúde americano). Para que a tecnologia seja incorporado ao SUS e reproduzida comercialmente por empresas privadas, deve ter a aprovação da  Comissão Técnica Nacional de Biossegurança(CTNBio), do Ministério da Saúde, da Anvisa, do Ibama e do Ministério da Agricultura.

Alexandre Padilha – Ministro da Saúde

“Nossa expectativa é ter esse tipo de tecnologia agrupada a outras para controlar a dengue , com isso conseguiremos melhorar o diagnóstico e o tratamento. Para isso, é preciso apostar em novas tecnologias”, ressaltou Padilha.

EPIDEMIA — No primeiro semestre de 2012 (janeiro a junho), já foram registrados 431.194 casos de dengue em todo o País. A Região Sudeste tem o maior número de casos (182.895 casos; 42,4%), seguida da Região Nordeste (168.935 casos; 39,2%), Centro-Oeste (43.228 casos; 10,0%); Norte (31.927 casos; 7,4%), e Sul (4.209 casos; 1,0%). A Bahia apresentou mais de 41 mil casos de dengue em 2012. É o terceiro estado com maior número de notificações, atrás do Rio de Janeiro e Ceará.

Fonte: Portal da Saúde

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