Bolsonaro diz que ‘peso real’ é como casamento e planeja incluir outros países: ‘Temos muito mais a ganhar do que perder’

‘Quem sabe fazendo uma moeda única aqui na América do Sul’, disse. Presidente participou de formatura na Marinha, acompanhado da primeira-dama, Michelle Bolsonaro.
às 20:29

Por Micael Levi G1

O presidente da República, Jair Bolsonaro (PSL), disse nesta sexta-feira (7) que o projeto de uma moeda única entre Brasil e Argentina “é como casamento”. “Vejo que temos muito mais a ganhar do que perder”, afirmou.

O presidente participou, no Rio, da formatura de cerca de 2,5 mil militares no Centro de Instrução Almirante Alexandrino (Ciaa), na Penha, Zona Norte.

Mais cedo, ainda em Buenos Aires – onde se encontrou com o presidente Mauricio Macri –, ele já tinha comentado sobre o ‘peso real’.

“Uma nova moeda é como um casamento. Você ganha de um lado e perde de outro. Às vezes, você quer ver seu Botafogo jogar e não consegue porque sua esposa quer ir no shopping. Às vezes acontece o contrário também, tá certo? Você quer levar sua esposa pra ver o Mengão jogar e não consegue. Mas, como em todo o casamento, a gente mais ganha do que perde. Na moeda também vejo que temos muito mais a ganhar do que a perder”, comparou.

O presidente acrescentou que a proposta de moeda única, na avaliação dele, pode ser uma “trava” ao que chamou de “aventuras socialistas” na América do Sul.

“Eu acho que essa moeda única está nos dando uma trava àquelas aventuras socialistas que acontecem em alguns países da América do Sul.”

Bolsonaro também disse que, pelo o que ouviu do Ministro da Economia, a intenção seria incluir outros países do continente na moeda única.

“Uma família começa com duas pessoas. A ideia foi lançada na Argentina. O que ouvi o Paulo Guedes dizer é que ele gostaria que outros países se preocupassem com isso, quem sabe, fazendo uma moeda única aqui na América do Sul”.

Presidente da República participa de solenidade, na Zona Norte do Rio, ao lado da primeira-dama, Michele Bolsonaro
— Reprodução / TV Globo

Ainda sobre a Argentina, o presidente demonstrou preocupação em um possível retorno de Cristina Kirchner à Casa Rosada. A ex-presidente anunciou a intenção de ser vice de Alberto Fernández.

“Temos um exemplo claro mais ao norte aqui, a Venezuela. Depois que se chega à situação que está a Venezuela, para voltar atrás e restabelecer a normalidade, é muito difícil”, afirmou.

Fé na Nova Previdência

Questionado sobre o IPCA, que teve o pior índice para maio dos últimos anos, o presidente respondeu: “Pergunte ao Paulo Guedes”.

Mas, na sequência, emendou: “Nós herdamos um país em uma crise econômica. Algumas medidas foram tomadas no governo Temer, outras no nosso governo. Se isso não tivesse ocorrido no passado, estaríamos numa situação muito pior. O Brasil vai se recuperar, e o ponto de inflexão acontecerá por ocasião da promulgação da PEC da Previdência”.

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O presidente voltou a defender a sua ‘Nova Previdência’. “Quando temos investimento, precisamos mostrar para o Brasil e para o mundo que temos responsabilidade. Hoje estamos gastando mais do que arrecadamos. Assim sendo, não despertamos a confiança de ninguém. Ninguém quer investir num país que tem déficit bilionário anos após anos”, explicou.

Decepção com a reação à reforma da CHN

Bolsonaro revelou não ter entendido “essa bronca toda” com sua proposta de alterar o Código de Trânsito Brasileiro. Uma das propostas é acabar com a multa para o transporte de crianças sem cadeirinha.

“Quem está me criticando não teve o devido cuidado de estudar a situação. A segurança dos nossos filhos são (sic) de nós, pais e mães, em primeiro lugar”, ponderou.

“Não é porque não está na lei que vou deixar meu filho ou minha filha fazer o que bem entender ou conduzi-lo de forma irresponsável dentro de um carro particular meu. E devolveria a pergunta: ‘Por que não se exige em ônibus? Criança não anda em ônibus, não anda em táxi? Não estou entendendo essa bronca toda. Deveria ser elogiado por vocês, e não criticado”, afirmou.

O presidente comentou ainda sua proposta de acabar com o exame toxicológico obrigatório para caminhoneiros. Segundo ele, “a efetividade é nula”. “Inclusive gastamos muito dinheiro pra fora do Brasil, mandando que os exames sejam realizados lá fora”, argumentou.

“Acho que todo mundo gostou da possibilidade de passar de 5 pra 10 anos a validade da CNH”.

Elogio ao Supremo

Na entrevista, Bolsonaro também voltou a elogiar o Supremo Tribunal Federal, que liberou a venda de subsidiárias de estatais sem a necessidade de aval do Congresso. “Parabéns ao STF, que está em comum acordo – vamos assim dizer, na mesma sintonia – que o governo federal. Nós queremos menos Estados (Estado)”.

Ele também disse que o objetivo da educação é formar bons liberais. “O objetivo da educação é formar bons profissionais, bons empregados, bons patrões e bons liberais. Isso não foi feito ao longo do governo que nos antecedeu”.

Maior formatura da história

Presidente Jair Bolsonaro participou de solenidade no Centro de Instrução Almirante Alexandrino (Ciaa), na Penha, Zona Norte do Rio, na manhã desta sexta (7).
— Reprodução / TV Globo

Esta foi a maior formatura da história da instituição, com 2.139 homens e 405 mulheres. A cerimônia encerra a primeira etapa a carreira de praças no curso especial de habilitação para promoção a sargento. Também participaram do evento o governador do Rio, Wilson Witzel, e o prefeito da cidade, Marcelo Crivella.

“É com satisfação que estou à frente dessa formatura nesse momento, mas uma coisa nunca se afastará de mim: a humildade, o dever e o compromisso de servir à pátria, o respeito a todos vocês, à família brasileira, o respeito ao Deus, ao qual devo minha vida, e a vocês que, por sua vez, em grande parte, me colocaram na situação em que ora me encontro, presidindo uma cerimônia como essa e estando à frente do Brasil”, disse Bolsonaro.

“Retornamos há pouco da Argentina. Não existe bem maior a um povo que sua liberdade e democracia e a possibilidade de todos galgarem a condição e ao cargo ao qual se propuseram. Todos são honrados no Brasil, todos sem exceção. O Brasil mudou e mudou para melhor. Os valores serão a máxima de nosso governo, a luta pela união também faz parte”, garantiu.

Durante a solenidade, o presidente chegou a descer do palco e foi para o local onde estavam os militares. Bolsonaro foi cumprimentado por diversas pessoas e posou para fotos.

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