Delfim Netto, o ‘Professor’, recebeu propina de R$ 15 milhões, diz MPF

Pela Redação no dia às 10:19

O ex-ministro Delfim Netto foi alvo de buscas em nova fase da Lava-Jato. Segundo investigadores, R$ 4,4 milhões já foram rastreados pelos investigadores e bloqueados por ordem de Sérgio Moro

Foto: Valter Campanato/ABr
Conhecido como “ministro do milagre econômico”, na época do regime militar, o ex-líder do Ministério da Fazenda Delfim Netto recebeu a alcunha de ‘Professor’ nas planilhas de propinas da empreiteira Odebrecht. A investigação da Operação Lava-Jato aponta o ex-deputado federal como suspeito de receber parcela das vantagens indevidas que seriam direcionadas aos partidos PMDB e PT, em razão de sua atuação na estruturação do consórcio Norte Energia.
 
Há indícios, de acordo com o Ministério Público Federal (MPF), de que ele tenha sido contemplado com propina de R$ 15 milhões de empreiteiras por estruturar o consórcio contratado para executar as obras da Usina Hidrelétrica de Belo Monte, juntamente com o pecuarista José Carlos Bumlai. Nesta sexta-feira (9/3), Delfim Netto foi alvo de ordens de busca e apreensão. Agentes da PF foram à residência dele e escritório, na 49ª fase da Lava-Jato, a Buona Fortuna.
 
Segundo o procurador da República Athayde Ribeiro Costa, do montante, R$ 4,4 milhões já foram rastreados pelos investigadores e bloqueados por ordem do juiz federal Sérgio Moro. “As provas indicam que o ex-ministro recebeu 10% do porcentual pago pelas construtoras a título de vantagens indevidas, enquanto o restante da propina foi dividido entre o PMDB e o PT, no patamar de 45% para cada partido”, afirmou o MPF.
 
O procurador afirmou Antonio Palocci foi o porta-voz do governo federal, então deputado federal, para direcionar os pedidos de propina, parte ao PT para ao MDB. Em um segundo momento, Palocci pediu que 10% do valor de 1% do contrato fosse direcionado a Antonio Delfim Netto. “Os pagamentos de vantagens indevidas eram feitos parte em espécie, parte em contratos fictícios para o sobrinho dele”. O MPF destacou que os efeitos “nefastos da corrupção” que vão além de outros problemas ocorridos em Belo Monte, como os ambientais, já que a construção causou uma série de efeitos negativos às comunidades locais, principalmente indígenas.
 
Contratos fictícios para esconder propina
De acordo com o procurador, os pagamentos vinham das empresas Camargo Corrêa, Andrade Gutierrez, Odebrecht, OAS e J. Malucelli, todas integrantes do Consórcio Construtor de Belo Monte, em favor de pessoas jurídicas relacionadas a Delfim Netto, por meio de contratos fictícios de consultoria. Delfim Netto recebia a propina por meio das senhas ‘Pastel’, ‘Diamante’ e ‘Perfume’.
 
A princípio, a Polícia Federal (PF) iria cumprir 9 mandados de busca e apreensão, sendo 4 no Paraná e 6 em São Paulo. No entanto, foi expedido um mandado complementar durante as buscas em um endereço de São Paulo, totalizando 10 ordens cumpridas. Segundo a PF, foram apreendidos diversos materiais como agendas, HDs e celulares. Todo o material deve ser periciado. Segundo o órgão, todos os endereços alvo de buscas eram de empresas e pessoas ligadas a Delfim netto e ao sobrinho dele, o empresário Luiz Appolonio Neto.
 
J. Malucelli pela primeira vez em investigação
A empresa J. Malucelli aparece pela primeira vez na investigação de corrupção da Lava-Jato. Segundo o procurador Athayde Ribeiro, a investigação apontou o pagamento, em 2014, de R$ 183 mil para empresas de construção ligadas a Luiz Appolonio Neto. O período investigado até o momento é de 2012 a 2015.
 
Segundo o MPF, a J. Malucelli tinha participação de 2% do consórcio de obras de Belo Monte. No total, 12 empresas formavam o consórcio construtor: 50% dele ficava nas mãos Camargo Corrêa, Andrade Gutierrez e Odebrecht. As demais empresas tinham o poder dos demais 50%. Segundo o MPF, como a investigação ainda está em curso, não há, por enquanto, ordem prisão prevista para os investigados.
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