Estudantes entrevistam o autor do Hino de Retirolândia

O autor, Enézio de Deus Silva Júnior, 37 anos, filho da Profa. Luzia Carneiro Silva e Enézio de Deus Silva, nasceu no dia 02 de janeiro de 1981 no Hospital Municipal da Retirolândia.

Em razão de trabalho escolar solicitado pela Profa.Laiane Santana, do Centro de Educação Santo Antônio, as alunas Vitória Araújo Pinheiro e Maria Eduarda da Silva Borges, ambas do primeiro ano do Ensino Médio da instituição, entrevistaram o Prof. Enézio de Deus Silva Júnior, autor do Hino de Retirolândia.

Vitória informa que o procurou por meio de uma rede social e que Prof. Enézio lhe encaminhou as respostas por correio eletrônico no dia 20 de julho. As discentes entendem muito importante o registro, ainda mais em face do dia 27 de julho, quando a cidade comemora seu 56º aniversário de emancipação política, e revelam gratidão por terem sanado suas dúvidas em torno de como surgiu a inspiração do autor para a feitura da letra e da música e o processo de registro elegalização da canção como Hino de Retirolândia.

O autor, Enézio de Deus Silva Júnior, 37 anos, filho da Profa. Luzia Carneiro Silva e Enézio de Deus Silva, nasceu no dia 02 de janeiro de 1981 no Hospital Municipal da Retirolândia. Estudou na rede pública de ensino da cidade (nos colégios Antônio Militão Rodrigues, Yêda Barradas Carneiro e Olavo Alves Pinto) até a então chamada oitava série do Ensino Fundamental (1995), hoje nono ano. Cursou o Ensino Médio (à época, o chamado “Científico”) no Colégio Projeção (primeiro e segundo anos, 1996/1997; Conceição do Coité-BA) e no Colégio Fênix (terceiro ano, 1998; em Feira de Santana-BA). Graduou-se em Direito pela Universidade Estadual de Santa Cruz/UESC (1999 a 2003), tornou-se advogado com registro na OAB/BA (nº 20.914, em 2004), Especialista em Direito Público pela Universidade Salvador/UNIFACS em 2008, Mestre em Família na Sociedade Contemporânea pela Universidade Católica do Salvador/UCSAL em 2011 e Doutor em Família na Sociedade Contemporânea, pela mesma instituição, em 2016. É servidor público concursado do Estado da Bahia desde o ano de 2007 (vinculado à carreira de EPPGG da SAEB) e leciona na Universidade Federal da Bahia no curso de Especialização em Educação em Gênero e Direitos Humanos. Conta com sete livros publicados e seis cds gravados com letras/músicas de sua autoria, dentre os quais, o cd intitulado Hino de Retirolândia, objeto da entrevista concedida às referidas alunas que, por sua autorização, o Retiro Notícias veicula abaixo:

VITÓRIA E MARIA EDUARDA – Prof. Enézio, de onde surgiu a inspiração para compor o hino de Retirolândia?

ENÉZIO DE DEUS – Essa inspiração surgiu do verdadeiro amor que sinto pela minha terra, meu povo, minha família… Valorizo muito as minhas/nossas raízes (origens) comuns e considero que, nas bases valorativas da minha formação, estão os elementos que me sustentam renovado no bem e na integridade. É por isso que o livro Retirolândia: Memória e Vida (do ano de 2007, um dos meus sete livros publicados até o momento, doado à APAE) e o Hino de Retirolândia (de 2005, uma das minhas dezenas de canções escritas e registradas) são, dos frutos que Deus me permitiu realizar até hoje, os que mais me emocionam e me levam a agradecer-Lhe. A minha inspiração para compor o Hino da nossa cidade, em outras palavras, vem desde a infância, porque eu tinha o hábito, criança, de conversar muito com o meu avô materno, Evaristo Carneiro, sobre o início do povoamento das terras que deram origem a Retirolândia e sobre tudo de que ele se recordava, lucidamente, daqueles anos a partir de 1929; ano quando ele veio morar, em definitivo, bem jovenzinho, no Retiro que se formava. Eu gravava essas conversas com ele (tenho todos os áudios bem guardados), a partir das quais tive conteúdos maravilhosos não somente para conhecer mais a nossa história, como para amar, cada vez mais, a nossa terra. Por isso, sou muito grato a ele e a outros cidadãos e cidadãs que tornaram, efetivamente e para sempre, realidade o sonho de sermos filhos de um município politicamente emancipado, como por exemplo: o Sr. Francisco Araújo, D. Milu, D. Dália, Sr. Jovino, Sr. Antônio Militão, D. Lita (Valdelice Rios de Oliveira), Sr. Deraldino Ramos de Oliveira (primeiro prefeito), Sr. Bento Eloy, D. Baldoína, Sr. João Mala, dentre outros/as aos/às quais agradeço, em memória, com os joelhos do coração dobrados no chão da eternidade: nossos/as corajosos/as predecessores/as, cujo intento não era e jamais foi se apossarem do poder (pelo poder, por vaidade ou por ambição); era de verem a nossa Retirolândia uma cidade independente, emancipada, desenvolvendo-se e igualmente digna, como todas as demais na época já nascidas e em crescimento na região sisaleira. A minha inspiração para compor o nosso Hino permanece e sempre permanecerá viva em mim, porque reflete, portanto, o meu amor e o meu profundo respeito pela nossa Retirolândia, desde quando foi a Fazenda Retiro Velho, passando ao povoado Retiro, tornando-se o distrito de paz Retirolândia e (1955) se emancipando como o município de Retirolândia pela Lei Estadual 1.752, de 27 de julho de 1962.

VITÓRIA E MARIA EDUARDA – Como se deu a criação do Hino? Por que resolveu fazê-lo?

ENÉZIO DE DEUS –Tomei a iniciativa de compor o Hino de Retirolândia pela inexistência, até o ano de 2005, de uma canção assim oficializada. Nossa cidade merecia uma letra e uma música à sua altura, com conteúdo capaz não somente de enaltecê-la poeticamente, mas de resgatar/imortalizar os principais ou destacados elementos históricos da sua formação e das realidades/aspectos naturais, culturais, sociais do município. Foi justamente isso que procurei inserir na letra do Hino. Após os trâmites regimentais necessários (registro da letra/música na Fundação Biblioteca Nacional/MinC em 2004, elaboração/apreciação de projeto de lei de autoria do Prof. José Divaldo com essa finalidade pela Câmara Municipal de Vereadores, sessões de debates em torno dessa matéria na Câmara e sanção/promulgação), entrou em vigor a Lei Municipal nº 166 em 13 de dezembro de 2005 que instituiu tal canção de minha autoria como o Hino de Retirolândia. No mesmo mês e ano (2005), gravei um cd intitulado HINO DE RETIROLÂNDIA, fiz diversas cópias do mesmo e o distribuí, inteiramente por minha conta, com as principais instituições e organismos públicos/privados da cidade. Como não louvar a Deus por tudo isso? Sou-Lhe grato eternamente, bem como à nossa amada cidade, “lírio de um corajoso anto de esplendor”.

VITÓRIA E MARIA EDUARDA – Se possível, informe de onde o senhor tirou a melodia do Hino.

ENÉZIO DE DEUS –Quem, como eu, compõe letra e música ao mesmo tempo, passa por um processo interessante, intuitivo, quase inexplicável à luz de uma racionalidade taxativa ou cartesiana: na medida em que vamos nos inspirando para escrever a letra, a melodia vai se misturando à nossa imaginação e a gravamos ou a encaixamos junto com o texto em si, com as palavras. Por isso, como sou compositor de gêneros musicais variados (embora eu não me dedique profissionalmente a essa vertente criadora em mim, por outras demandas da minha vida), quando sinto que estou inspirado para compor, já pego meu gravador para, após escrever e finalizar a letra (obviamente após um ou vários ajustes), eu não me esquecer de como cantar aquela letra, isto e, para não perder a sua base melódica, que dá toda sua vida emocionante. Quando me senti inspirado para escrever o nosso Hino, portanto, letra e música foram brotando, ao mesmo tempo, dentro de mim, e eu me emocionei profundamente; na verdade, quando vi conclusa a canção, derramei lágrimas de emoção e gratidão ao Altíssimo.

VITÓRIA E MARIA EDUARDA – Com quantos anos o senhor começou e finalizou a composição?

ENÉZIO DE DEUS –Eu compus a letra e a música do Hino durante dois inspirados dias no ano de 2004, quando, em dezembro de tal ano, providenciei o seu registro e averbação na Fundação Biblioteca Nacional/MinC (RJ). Eu tinha (deixa eu fazer as contas, porque sempre fui péssimo em cálculo rssss), portanto, 23 anos de idade em 2004 quando o escrevi. No ano seguinte, 2005, ocorreu, em nossa cidade, o processo de legalização da canção como Hino de Retirolândia.

VITÓRIA E MARIA EDUARDA – Houve algum incentivo? Se sim, de quem?

ENÉZIO DE DEUS –Quando o amor pela nossa terra nos inspira (e me inspira ate hoje), o principal incentivo vem dela: da minha família, meu pai e minha mãe em especial; do meu avô materno, Evaristo Carneiro, que sempre foi apaixonado pelo nosso Retiro muito antes de se tornar cidade; das minhas professoras e professores, da pré-escola à (na época chamada) oitava série da nossa Retirolândia, que, até hoje, onde quer que eu as/os encontre, eu as/os chamo assim “professora, professor”, com o maior respeito e gratidão, porque, sem elas/eles, nós não chegaríamos a lugar algum. A minha mãe, por exemplo, Profa. Luzia Carneiro, foi minha professora no Colégio Estadual Olavo Alves Pinto e é a ela que eu devo, principalmente, a minha maior paixão na vida: a paixão pela escrita. Se sua pergunta de incentivo tiver correlação com apoio financeiro (outra interpretação possível), eu asseguro que, tanto com relação ao Hino de Retirolândia como ao livro Retirolândia: Memória e Vida, os investimentos foram exclusivamente da minha parte. Nunca recorri a quem quer que seja nesse sentido (louvo a Deus por isso, com humildade); não permito que o meu amor cívico se “contamine” com sentimentos ou trocas outras e, felizmente, eu o mantenho renovado, livre eagradecido à minha terra e à nossa querida gente retirolandense. Inclusive, já me perguntaram (risos…) se, por ocasião das doações desses trabalhos, do cd Inspirações e Louvores a Antônio ou desse amor, eu já pensei em me candidatar a cargo político-eletivo na cidade. Minha resposta continua e permanecerá a mesma: respeito quem opta pela vida pública por meio de tais cargos (e admiro quem, com integridade, desenvolve bons trabalhos em decorrência do seu exercício), mas não me candidatarei aos mesmos. Continuarei servindo civicamente, de tantas outras formas possíveis, motivado por esse mesmo amor e tocando os meus projetos de vida com dignidade. Sou um servidor público estadual de carreira/concursado há doze anos, amo o meu trabalho e, além disso, leciono, continuo escrevendo… Já é muito para dar conta (risos…)! Carreira ou incursão na política, portanto, nunca esteve e não está nos meus planos.

VITÓRIA E MARIA EDUARDA – Professor, por que os lugares citados no Hino? Qual a história por trás deles?

ENÉZIO DE DEUS –Ali está a nossa história, bem nítida e em curso, sobre a qual temos que agradecer muito a Deus, porque somos um povo retirolandense, nordestino e baiano de coragem e uma cidade igualmente guerreira, que precisa de todos e todas nós para continuar se desenvolvendo e dando bons frutos. É isso que eu desejo, de todo meu coração, sempre orando nesse sentido. Como eu falei anteriormente, os lugares e elementos que registrei no Hino são os que considero historicamente relevantes na nossa formação comum; por isso, como você pode observar ao ler/cantar o Hino, ali estão mencionadas realidades/aspectos naturais, culturais, sociais e outros de importância para o nosso município, que reforçam, para sempre, o nosso amor por Retirolândia, agora completando mais um ano de emancipação jurídico-política. Louvado seja Deus! Aproveito para lhes agradecer, Vitória e Maria Eduarda, pela honra de ser entrevistado por vocês e faço votos de que o exercício das suas cidadanias traga maravilhosos frutos para a nossa terra e para as suas vidas como um todo. Amém! Aproveito esta oportunidade para dizer a todos os alunos e alunas que leem esta entrevista (de todas as instituições de ensino da nossa cidade): valorizem a EDUCAÇÃO como a principal mola propulsora do crescimento de vocês, porque, somente por meio dela, vocês criarão asas no melhor dos sentidos: asas para voos altos em dignidade, integridade e senso ético-humanístico. Avante! Muito obrigado.

HINO DE RETIROLÂNDIA

(Letra e música: Enézio de Deus)

Dos retirantes, nasceu a história.
Sertão, a glória, um povo forte consagrou
A hombridade, na eternidade.
Retiro Velho, a semente, ofertou.
Do Barracão, cresceu sobrevivência.
Fertilidade, o comércio, fez florir.
Pouso de luta, na cajazeira…
O esforço humilde, a vila e as ruas, fez sorrir.
No povoado, doce alegria!
Saudade canta e dança o baile de salão.

Armazém grande, mercado, o brilho…
Festividade! No São Pedro, emoção.

A fé tão nobre, formoso manto,
Sustenta a gente desta terra varonil.
Luzente tempo tornou cidade
Um lugar belo da Bahia e do Brasil.

Retirolândia, tu és o lírio
De um corajoso canto de esplendor!
Retirolândia, por ser teu filho,
agradecido, louva o meu amor.

Sisal, um verde se fez sorriso.
Na seca, a chuva lava o campo sofredor.
O sertanejo planta, contrito,
A esperança da colheita com fervor.
Pocinho, rocha de água viva.
Nos caldeirões, a natureza se banhou.
Sol florescente, matriz querida…
Praça de riso, a juventude, despertou.
Da união, a hospitalidade
É luz, presente, no Retiro de valor.

Educação, dom, letra de aurora…
Lembrança pura, saber mestre e doador.

Retirolândia, meu canto santo!
Espaço aberto de ternura, luz e pão.
Descanso nobre, que espelha a vida…
Louvor contente, parte do meu coração!

Retirolândia, em ti, brotou a paz.
Da esperança, um recanto vivaz.
Salve a amada, cidade divina!
Tu és torrente de beleza cristalina!

PARA OUVIR, ACESSE:

https://www.youtube.com/watch?v=OeJ1_-8SXoA

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