ONG abre ‘covas’ na areia da praia de Copacabana em protesto contra ações do governo diante da pandemia

Voluntários cavaram 100 covas rasas simbolizando as mortes no país. Ato cobra transparência e mudança de atitude do governo para combater o novo coronavírus. No final da manifestação, alguns apoiadores do governo iniciaram uma pequena confusão.

às 20:08

Avatar Por Pablisia Barreto Fonte: G1 Rio

Cem ‘covas rasas’ foram abertas na areia de Copacabana em protesto — Foto: Divulgação

Voluntários da ONG Rio de Paz fazem um protesto na manhã desta quinta-feira (11) contra as ações do governo federal frente à pandemia do novo coronavírus. Cerca de 40 voluntários cavaram 100 covas rasas na areia da Praia de Copacabana, na Zona Sul do Rio, simbolizando as mortes pela Covid-19 no país.

Os voluntários iniciaram o ato às 4h, em frente ao Hotel Copacabana Palace. Nas covas, penduraram bandeiras do Brasil e cartazes. De acordo com Antônio Carlos Costa, presidente da Rio de Paz, as covas são uma alusão aos cemitérios lotados no país, como o de Manaus.

“Ali, nós temos primeiro as imagem das mortes que estão acontecendo simultaneamente e, por trás delas, famílias que ao mesmo tempo estão administrando sofrimento invisível de entes queridos. Ela traz a nossa mente o fato de que os mais necessitados estão sendo atingidos frontalmente, estão morrendo, sendo enterrados em covas rasas”, diz Antônio.

Entre as reivindicações do protesto, estão a assistência às famílias em situação de vulnerabilidade durante a crise do coronavírus, um profissional de medicina à frente do Ministério da Saúde e a exigência de cronograma com metas dos governos federal, estadual e municipal para o combate efetivo da doença.

“O que nós esperamos com a manifestação é uma mudança dessa situação de crise. O que mais poderia ajudar agora é conhecer o cronograma, saber o que vai acontecer daqui a um, dois meses, para onde o país está indo. Mas não há metas, não há planejamento. Não houve um só momento que o presidente da república tenha expressado compaixão, solidariedade pelos que sofrem”, afirma o presidente da ONG.

Princípio de confusão

No final da manhã, alguns apoiadores do governo Bolsonaro que passavam pelo calçadão de Copacabana reagiram contra a manifestação pacifica.

Um pequeno grupo de pessoas se juntou e começou a ofender os organizadores do protesto. Entre os revoltados, um senhor entrou na areia e começou a retirar as cruzes que faziam parte da instalação.

“Nós estávamos ouvindo muitas expressões de ódio no calçadão, pessoas nos provocando. Mas um senhor decidiu derrubar as cruzes, mesmo sem que nós tivéssemos reagindo”, contou António Carlos.

Um homem recolocou as cruzes do protesto que foram arrancadas. Ele disse que perdeu o filho pra Covid-19 — Foto: Reprodução redes sociais

Na sequência da confusão, um cidadão que também acompanhava o protesto decidiu recolocar as cruzes no lugar e defendeu a manifestação contra os apoiadores do governo.

“É uma manifestação pacífica. O mesmo direito que vocês tem de tirar eu também tenho de colocar. Meu filho morreu com 25 anos. Ele era saudável. Vocês tem que respeitar a dor das pessoas”, disse o rapaz.

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