Maior jornal da Rússia chama russas de ‘putas’ que envergonham o país

Texto do colunista Platon Besedin, do jornal Moskovskiy Komsomolets, viralizou nas redes sociais e tem causado indignação

Foto: Maxim Shemetov/Reuters

O colunista Platon Besedin, do Moskovskiy Komsomolets – um dos maiores jornais do país, chamou as mulheres da Rússia de putas e afirmou que o comportamento das mulheres está envergonhando o país. 

O artigo foi publicado no dia 27. No texto denominado “A hora das putas: as russas se envergonham e envergonham o país na Copa”, o jornalista diz que as russas estão se vendendo ao se envolverem com os estrangeiros.

“Nas cidades onde têm a Copa do Mundo, muitas russas se comportam como prostitutas na frente dos estrangeiros. As mais espertas colocaram anúncios nos sites de relacionamento. Claro que muitas mulheres procuram estrangeiros por dinheiro, outras procuram o casamento. Mas tem mulheres que estão prontas para dormir com estrangeiros de forma gratuita só porque são estrangeiros. Podemos dizer que dá vergonha. Muitas mulheres nem conhecem o sentimento de vergonha. Muitas mulheres que correm atrás dos estrangeiros não têm vergonha, moral e valores. Nós criamos uma geração de putas prontas para abrir as pernas ao escutar algum sinal de idioma estrangeiro.”

O autor ainda diz que a Copa do Mundo tem sido muito importante na quebra de esteriótipos, mas reforça o comportamento das mulheres russas. 

“Hoje em dia, esse comportamento é cultivado e se vender não é vergonha. Vergonha é trabalhar como enfermeira simples no hospital e ganhar 9 mil rublos. As redes sociais têm muitos vídeos onde meninas jovens e não tão jovens se comportam como prostitutas com responsabilidade social baixa. O caso menos grave é o de um torcedor brasileiro que paga a uma menina num clube da cidade de Rostov por 5 minutos de esfrega-esfrega. Ou por exemplo aquele dos torcedores poloneses fazendo sexo oral em uma menina russa numa banca no centro da cidade, enquanto as pessoas que estão passando gritam ‘que nojento’ e outros riam. O mais horroroso nesse vídeo é o fato que a russa também está bebendo Coca-Cola e vodca.”

Ainda segundo Besedin, o autor diz que o problema do país é imitar o Ocidente, além de ter homens “fracos e irresponsáveis”. Para ele o problema pode ter solução. “Você vai dizer que existem alternativas. Eu tenho certeza que sim. Mas quem vai nos mostrar esses caminhos? Precisamos não apenas para a Copa, mas em geral. As putas estão em todos os lugares como baratas mortas que só consomem, comem e cagam. Pensando apenas em suas necessidades. O teto, o ponto mais alto dos sonhos dessas mulheres, é ter um apartamento em seu nome e todas as contas pagas por um homem branco e nobre”.

O artigo tomou as redes sociais. Um grupo de mulheres escreveu uma petição exigindo um pedido de desculpas e reforçando que as russas são livres para terem o comportamento sexual que quiserem. O próprio jornal Moskovskiy Komsomolets publicou outros artigos criticando a coluna.

Diante da repercussão o colunista publicou um novo artigo no dia seguinte no qual disse que havia sido mal interpretado. Segundo ele, o modelo atual de comportamento imposto ao público pela sociedade e pela mídia é o grande problema, não as mulheres em si.

“Eu vi muitos comentários de mulheres indignadas no meu artigo ‘A geração das putas’. Ele supostamente degrada sua dignidade. Não, meu artigo não degrada sua dignidade, mas a imagem de uma mulher como uma prostituta, que é cultivada em nossa sociedade: de revistas de moda a talk shows populares. Pareça uma prostituta, seja sexy – venda-se para o sucesso”, escreveu.

“Vocês insultaram a minha frase: ‘Nós criamos uma geração de prostitutas’. Estou pronto para repeti-la novamente. Porque sim, é assim que elas foram criadas. A geração não está na idade, mas na perspectiva do mundo. Não é desde jovem que ensinamos às meninas o que chamamos timidamente de sexualidade? Nós ensinamos as garotas a parecerem sexy e dançarem sexualmente, porque elas precisarão disso na vida. As mães e os pais ensinam isso. Nós trouxemos uma geração de garotas que consideram o objetivo principal – o número máximo de inscritos no Instagram.”
 
Retiro Notícias | Com informações do UOL
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