“O Exército não matou ninguém, não, o Exército é do povo”, diz Bolsonaro sobre morte de músico no Rio

Presidente da República se manifestou pela primeira vez sobre o caso da família que teve o carro fuzilado por militares com 80 tiros no Rio de Janeiro, no domingo
às 22:10
“Se for o caso, me pronuncio também”, afirmou Bolsonaro em Macapá, onde estava para inaugurar um terminal do aeroporto (Foto: Alan Santos / Presidência da República/Divulgação)

Seis dias depois da morte do músico e segurança Evaldo Rosa dos Santos, o presidente Jair Bolsonaro (PSL) se manifestou publicamente pela primeira vez sobre o caso, em entrevista a jornalistas em Macapá, nesta sexta-feira (12).

— O Exército não matou ninguém, não, o Exército é do povo. A gente não pode acusar o povo de ser assassino, não. Houve um incidente, houve uma morte, lamentamos a morte do cidadão trabalhador, honesto, está sendo apurada a responsabilidade — disse ele.

Segundo Bolsonaro, o Exército sempre aponta responsáveis e, na corporação, “não existe essa de jogar para debaixo do tapete”. Ele citou ainda a perícia e a investigação que estão sendo realizadas para apurar as circunstâncias do crime e “ter realmente certeza do que aconteceu naquele momento”.

— O Exército, na pessoa do seu comandante, o ministro da Defesa, vai se pronunciar sobre esse assunto. Se for o caso, me pronuncio também. Com os dados na mão, com os números na mão, nós vamos assumir a nossa responsabilidade e mostrar realmente o que aconteceu para a população brasileira — afirmou.

Até então, a única manifestação do Planalto sobre o caso havia ocorrido via porta-voz da Presidência, general Rêgo Barros, que também classificou o caso como “incidente” e negou que o presidente tivesse feito manifestações de pesar pela morte do músico.

​Evaldo foi morto depois de ter o carro alvejado com 80 tiros por militares do Exército, na tarde do último domingo (7), no Rio de Janeiro. A mulher dele, o filho de sete anos, uma amiga e o sogro dele também estavam no veículo. O sogro ficou ferido.

Em entrevista a GaúchaZH nesta quinta-feira, o deputado federal Eduardo Bolsonaro afirmou que não iria “passar a mão na cabeça de ninguém” e que o seu pai, o presidente Jair Bolsonaro, lamentava o incidente.

— O presidente também lamenta. Pode ter certeza disso. Assim como também lamenta as outras 62 mil mortes por ano (por assassinato). Certamente, a gente tem de mudar isso — disse na entrevista.

Também nesta sexta (12), o vice-presidente, general Hamilton Mourão, se pronunciou sobre o caso, em entrevista à rádio CBN.

— Sob pressão e sob forte emoção, ocorrem erros dessa natureza. Isso aí está sendo investigado, foi aberto o inquérito policial militar devido — disse ele.

O ministro da Defesa, Fernando Azevedo e Silva, também chamou o caso de incidente e disse que o Exército “vai apurar e cortar na própria carne”. Na quinta, ele reconheceu que o armamento usado “não é adequado”.

— Essa do Rio de Janeiro foi uma ocorrência lamentável com vítima fatal. Mas, realmente, nós não somos voluntários, nunca fomos voluntários de operações de Garantia da Lei e da Ordem. É missão. A nossa missão precípua não é essa. O nosso armamento não é adequado para isso. A legislação não é adequada para isso — disse Azevedo e Silva.

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