Para onde vai a taça da Copa do Mundo após a comemoração?

Com cerca de 6 quilos de ouro 18 quilates, a taça Copa do Mundo Fifa fez a sua estreia no Mundial de 1974

Foto: Getty Images

O goleiro francês Hugo Lloris, capitão da seleção francesa, campeã da Copa do Mundo na Rússia 2018 irá erguer a taça neste domingo (15). E depois? Para onde vai o cobiçado troféu?

A cada quatro anos a taça Copa do Mundo Fifa viaja para o país vencedor e marca presença nas comemorações. Algumas semanas depois, em data não divulgada por questões de segurança, a taça segue para a cidade de Paderno Dugnano, na Região Metropolitana de Milão, na Itália, segundo a BBC.

Por lá, ourives da rústica fábrica da empresa GDE Bertoni recebem o troféu. Eles têm a missão de deixá-la como nova e gravar o nome do último campeão na língua do país vencedor, no disco circular que fica na base da taça, acompanhado do ano.

A GDE também produz réplicas idênticas em forma e com peso semelhante, que são entregues, em definitivo, às seleções campeãs. Apesar de fiéis, as cópias são feitas de cobre e zinco e banhadas a ouro.

Quando a réplica é entregue ao comando do futebol do país campeão, a original, brilhante como na estreia, no Mundial de 1974, e vota para Zurique, na Suíça, onde fica guardada até o próximo Mundial.

História

Com cerca de 6 quilos de ouro 18 quilates, a taça Copa do Mundo Fifa foi idealizada em 1971 pelo ourives e escultor Silvio Gazzaniga, que morreu em 2016, e foi toda confeccionada de forma artesanal.

A taça atual substituiu o troféu Jules Rimet, que ficou no Brasil após a conquista do tricampeonato, em 1970, como era o combinado.

Os roubos

Roubo da taça Jules Rimet em 1966

O Roubo da taça Jules Rimet em 1966 foi o primeiro dos 2 roubos que a Taça Jules Rimet sofreu (o outro viria a ocorrer em 1983, na sede da CBF, no Rio de Janeiro).

No roubo de 1966, ocorrido em 20 de março daquele ano, a taça estava em Londres, no Central Hall de Westminster, como atração da mostra “Esportes com Selos”, da feira filatélica Stampex.

Foi por conta desse roubo que, em 1968, a FIFA encomendou uma réplica da taça, que passou a ser apresentada como sendo a original em cerimônias e eventos promocionais da entidade.

O suspeito de ter participado no roubo, Edward Betchley, faleceu em 1969, de enfisema pulmonar.

O roubo foi uma vergonha para os ingleses, além do mais a galeria de onde a taça foi roubada ficava a poucos metros da sede da polícia, a Scotland Yard. O caso imediatamente ganhou o noticiário internacional.

Por conta do roubo do troféu, uma nova taça em ouro foi encomendada, com urgência e em segredo, pela Federação Inglesa de Futebol à ourivesaria Alexander Clarke, da capital britânica.

A Scotland Yard entrou em ação e abriu investigação para tentar recuperar a valiosa taça. Pistas indicaram para um tal de Jackson, que ameaçou derreter o troféu caso não recebesse a quantia de 15 mil libras. A nota com o pedido do resgate da taça foi entregue em um pacote, junto com a parte superior da Taça Jules Rimet, na sede do clube Chelsea, na região oeste de Londres.

Um encontro foi marcado. Um agente da polícia britânica encontrou, em um parque de Londres, com o tal do Jackson, que na verdade era um ex-soldado de nome Edward Walter Betchley que havia lutado na Segunda Guerra Mundial.

Depois de apresentar uma pasta com o resgate -em notas falsas-, o agente seria levado por Betchley ao local do esconderijo. No caminho, Betchley percebeu que seu carro estava sendo seguido e tentou fugir. Preso, se recusou a indicar cúmplices ou o local onde estaria o troféu.

O ex-soldado acabaria condenado a dois anos de prisão, por tentativa de extorsão. Morreria em 1969.

Troféu encontrado por um cão herói

No dia 27 de março, um senhor de nome David Corbett passeava com seu cão chamado Pickles numa praça do Sul da capital inglesa quando este, farejando um arbusto, localizou o valioso troféu, enrolado por jornais.

Como prêmio por sua heroica descoberta, Pickles ganhou, além da fama, atuar em comerciais de TV e o fornecimento gratuito de comida de uma fábrica de ração.

Um ano após o grande feito de sua existência, Pickles partiu. Foi enterrado no jardim da casa que Corbett comprou por causa de sua façanha. Está lá até hoje, com uma placa que diz: “Pickles, the finder of the World Cup 1966”.

Consequências do Episódio

Como consequencia deste episódio, em 1968 a FIFA encomendou uma réplica da taça, que passou a ser apresentada como sendo a original em cerimônias e eventos promocionais da entidade.

Roubo da taça Jules Rimet em 1983

O roubo aconteceu no prédio da CBF na Rua da Alfândega, 70, centro do Rio de Janeiro. Essa foi a segunda vez que a Taça foi roubada. Antes disso, ela já havia sido roubada no ano de 1966, em Londres e foi achada dias depois por um cachorro, Pickles.

O roubo de 1983 foi de grande impacto para a população brasileira, pois a Taça era um dos maiores símbolos do “orgulho nacional”. A Polícia Federal foi mobilizada para a procura do objeto, que tinha aproximadamente 3,8 quilos de ouro e na época o objeto poderia valer até 18 milhões de cruzeiros, o que nos dias de hoje equivale a mais de R$ 189 mil.

O caso teve uma grande repercussão. Jornais, tanto nacionais quanto internacionais, noticiavam com assombro o roubo do símbolo do tricampeonato.

Investigações, prisões e acusações de tortura

No dia seguinte ao roubo, 20 de dezembro, o roubo repercutiu rapidamente pelos jornais cariocas.

Jornais noticiavam com assombro o roubo de um dos maiores símbolos do “orgulho nacional”. Ao mesmo tempo em que isso acontecia, a Polícia levava o caso apenas como um simples furto, até que a Polícia Federal transferiu o caso para sua matriz e foi mobilizada para recuperar o objeto. E durante as investigações, dois suspeitos foram encontrados: dois faxineiros da CBF, denominados Antônio Carlos Aranha e Paulo Murilo.

Os dois chegaram a ficar presos, mas foram soltos por falta de provas. Anos mais tarde, Antônio Carlos Aranha viria a ser assassinado com 7 tiros em 1989.

Depois da libertação dos dois faxineiros, chegou-se a suspeitar do vigia, João Batista Maia, e sua filha, Sílvia Regina de Almeida Maia, pois ela chegou procurando pelo pai no prédio da CBF bem na hora do roubo. Tal suspeita foi descartada depois.

Quando Antônio Setta, o Broa, viu a notícia do roubo, não pensou duas vezes: Sérgio Peralta foi o responsável por roubar a Jules Rimet. O Clube do Omar, onde o Broa conheceu Peralta, era frequentado por policiais e localizava-se perto de um batalhão e de um regimento.

Broa alertou os policiais sobre o convite de Peralta, mas eles não lhe deram atenção. Depois que deixaram de suspeitar de João Batista Maia e sua filha, a atenção se voltou para a história de Broa. Ele delatou Sérgio Peralta como mentor intelectual do assalto, e que ele teria lhe feito um convite para participar, que foi prontamente recusado por patriotismo e motivos emocionais. Sérgio Peralta foi preso no dia 25 de janeiro de 1984 enquanto andava na Avenida Beira Mar, na zona sul do Rio.

Os policiais foram pressionados para solucionar rapidamente um crime de repercussão mundial, e de acordo com o próprio Peralta, ele teve o rosto coberto por um capuz e foi jogado no chão de um carro. Em seguida ele foi levado para um local desconhecido, onde ficou 3 dias sem comer. Peralta alega ter sido torturado, e segundo o próprio, “por causa dos chutes que eu levei, eu tenho um escroto maior que o outro”.

Ele alegou ter confessado o crime apenas por ter sido torturado, apesar de uma testemunha, um guardador de carros chamado Luiz Carlos Machado ter visto Peralta ali perto. De acordo com Luiz Carlos, Peralta subiu no prédio com lanches para os assaltantes e inclusive, ele chegou a oferecer a ele uma Coca-Cola. Sérgio apontou mais outros 2 comparsas: Luiz Bigode e Chico Barbudo.

Legado

No dia 1 de junho de 2006, o programa Linha Direta Justiça, na Rede Globo, dedicou uma reportagem ao caso. O programa contou com entrevistas de ex-jogadores, como Pelé, Rivelino e Gérson, do promotor do caso na época, Murilo Bernardes Miguel, e do advogado de Chico Barbudo na época, Jorge Santoro Filho. Os atores Chico Diaz, Anderson Müller, Luiz Nicolau e Enrique Diaz interpretaram respectivamente os criminosos Sérgio Peralta, Luiz Bigode, Chico Barbudo e o receptador Juan Carlos Hernandez em esquetes. O ator Mário Schoemberger viveu o delator Antônio Setta, o Broa, também em esquetes.

Filmes
  • 1961 – O Homem Que Roubou a Copa do Mundo: curiosamente, 23 anos antes do acontecido, o filme imaginou o roubo da taça. Ronald Golias e Grande Otelo eram os detetives encarregados de encontrar o troféu após seu desaparecimento.
  • 2003 – o filme Casseta & Planeta: A Taça do Mundo É Nossa faz uma sátira a este roubo e ao regime militar, com o enredo do filme dizendo que o roubo da taça é planejado para desmoralizar o ufanismo.
  • 2016 – foi lançado um filme baseado neste episódio, titulado como O Roubo da Taça.
Livros
  • O Roubo da Taça – Anélio Barreto (2003).
Samba Enredo

Em 1985, a escola de samba Caprichosos de Pilares, do Rio, resolveu lembrar a história nos versos de seu samba enredo ‘E por falar em saudade’, do carnavalesco Luiz Fernando Reis. Entre as “coisas que sumiram do dia a dia”, estavam “a gasolina barata, aquela Seleção Nacional, e derreteram a Taça na maior cara de pau…”

Fonte: Wikipédia

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