PM é baleado por policial civil na Bahia durante confusão

Investigador alega que foi agredido com socos e pontapés por um grupo de policiais e que sacou a arma para se defender

Foto: Reprodução

Um tenente coronel da Polícia Militar, que não teve a identidade divulgada, foi baleado na perna em uma casa de shows em Ilhéus, no Sul da Bahia, na madrugada de sábado (9). O autor do disparo, segundo o Sindicato dos Policiais Civis do Estado da Bahia (Sindpoc), é o investigador da Polícia Civil Joseval Cupertino, que estava na casa de shows Mar Aberto com a esposa e o filho.

O Sindpoc afirma que o investigador foi agredido com socos e pontapés por um grupo de policiais e que sacou a arma para se defender. "Com o objetivo de se defender, ele puxou a arma e o disparo atingiu acidentalmente o PM", diz a organização, em nota.

Ainda de acordo com o sindicato, o motivo da agressão dos PMs é desconhecido. No entanto, em depoimento ao delegado de Ilhéus, Luciano Lima de Medeiros, a esposa de Josval, que é advogada, explica que ela, o marido, o filho e alguns amigos chegaram ao Music Bar Mar Aberto por volta das 2h30 e que, por serem policiais, o marido e um dos amigos não pagaram as comandas.

Pouco depois, o gerente do bar foi até o investigador e disse que todos deveriam entram com ingressos para controle dos gastos. Foi quando o grupo decidiu ir embora e, quando se dirigia para a saída, foi surpreendido por um grupo de seis a sete pessoas que seguraram Joseval pelo pescoço e, em seguida, passaram a agredi-lo com socos e pontapés. "Joseval, a todo momento, dizia: 'Eu sou policial, eu sou policial'", contou a esposa do investigador, mas as agressões não pararam.

Ela contou ainda que tentou separar a briga, mas acabou se afastando, com medo, e que o filho chegou a entrar na discussão para defender o pai. Em seguida, a mulher disse ter ouvido um tiro e logo depois visto um homem sentado com um ferimento na perna.

Quando o investigador e a família conseguiram entrar no carro para ir até a delegacia, um homem com camisa amarela se aproximou do veículo e deu socos no vidro, mandando abri-lo. "Esse senhor disse 'prendam ele, ele está preso em flagrante'", contou a mulher, em depoimento.

Ela completou dizendo que, então, um policial militar abriu a porta do carro e pegou a arma do investigador, que estava desmontada e seria entregue à polícia. Segundo os policiais que fizeram a queixa contra Joseval, um agente de portaria que estava no local também foi atingido na perna, de raspão.

A Polícia Militar informou que vai acompanhar o processo investigatório em que o tenente coronel foi baleado pelo agente da polícia civil. Ainda segundo a PM, o oficial foi socorrido pela equipe do Samu para o Hospital Costa do Cacau, onde passou por procedimentos médicos. Ele foi transferido na tarde de ontem para o Hospital da Bahia, em Salvador. Segundo a equipe médica da unidade, o estado de saúde do tenente coronel é estável. "A corporação vai instaurar uma sindicância para apurar as circunstâncias do fato", informou a PM em nota.

Armas em punho
No boletim de ocorrência, registrado às 3h07 deste sábado (9) na 1ª Delegacia de Ilhéus, os policiais que atenderam à ocorrência afirmaram que foram chamados para uma denúncia de disparo de arma de fogo e que, quando Joseval se identificou como policial civil e lhe contava sua versão do ocorrido, outras pessoas começaram a se aproximar do local para também contar suas versões, se identificando como policiais militares.

No local da discussão, foi encontrado um policial militar, que se identificou como major Delmo Barbosa de Santana, ferido na perna e aguardando o atendimento do Samu. Os demais, em volta do major, estavam agitados e com as armas em punho, segundo relatam os PMs que atenderam à ocorrência.

Outro policial civil, identificado como Luciano Santos Cardoso, também investigador, foi conduzido à delegacia pelos PMs porque, durante a confusão, atirou para o alto. Em depoimento, o investigador confirmou que "deu dois disparos para o alto".

Em nota, o Sindpoc disse que o investigador Joseval Cupertino fez exame de corpo de delito e que a policia instaurou o inquérito para apurar o caso. "O SINDPOC está 24 horas em defesa da categoria. Os PMs causaram a maior confusão, agrediram o investigador sem nenhum motivo aparente. Precisamos que o caso seja investigado para que os  responsáveis sejam punidos", declarou o Presidente do SINDPOC, Eustácio Lopes. Com informação do Correio da Bahia.

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