Secretário-geral da OEA diz que avalia até intervenção militar para tirar Maduro do poder na Venezuela

Luiz Almagro afirma que crise migratória é responsabilidade do governo de Caracas

Pela Redação no dia às 16:38

via Folha de S. Paulo - RSS/FEED

Foto: Schneyder Mendoza/AFP

O secretário-geral da OEA (Organização dos Estados Americanos), Luis Almagro, afirmou que não deve ser descartada uma “intervenção militar” na Venezuela para “derrubar” o governo de Nicolas Maduro.

A declaração do uruguaio ocorreu na Colômbia, no momento em que tratava da migração em massa de venezuelanos. De acordo com Almagro, o governo venezuelano tem cometido “violação dos direitos humanos” e “crimes contra a humanidade”.

“Nesse caso é miséria, é fome, é a falta de remédios, que são como instrumentos repressivos para impor uma vontade política ao povo, isso é inadmissível”, afirmou.

“O sofrimento do povo, no êxodo induzido que está sendo conduzido [pelo governo venezuelano], coloca as ações diplomáticas em primeiro lugar, mas não devemos descartar nenhuma ação. Quanto à intervenção militar para derrubar o regime de Nicolas Maduro, eu acho que não devemos descartar nenhuma opção.”

Foto: Carlos Eduardo Ramirez/Reuters

Não foi a primeira vez que Almagro, que foi ministro das Relações Exteriores do Uruguai 2011 a 2015 –neste último ano, assumiu a OEA–, critica o governo de Maduro. E, apesar de falar em uso militar, a organização fundada em 1948 não dispõe de tropas  –suas ações estão voltadas ao campo da diplomacia, com uma estrutura que inclui, como apresenta em seu site, “diálogo político, inclusividade, cooperação, instrumentos jurídicos e mecanismos de acompanhamento”. 

As declarações da Almagro, dadas em Cúcuta, cidade na fronteira com a Venezuela, após uma reunião com o presidente da Colômbia, Iván Duque, soaram mais como uma resposta ao governo de Nicolás Maduro. Nesta semana, a Venezuela rejeitou ofertas de ajuda de outros países e informou que a atual crise humanitária pela qual o país passa faz parte de uma “campanha mundial de difamação” para derrubar o ditador.

Maduro disse ainda que iria pedir uma indenização a Bogotá devido ao número de imigrantes colombianos que vivem na Venezuela. As declarações fizeram parte da primeira manifestação pública do ditador venezuelano após o jornal americano The New York Times ter revelado um encontro entre militares rebeldes do regime e representantes de Washington, o que segundo ele comprova que países estrangeiros trabalham contra seu governo, em especial os Estados Unidos. Com informações do Folha de S. Paulo.

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